Junho 2010
Reuni estas datas ao escrever para fazer um resumo mais complexo do que vem sendo realizado e refletido. Um mês de tentativas de finalização. Infelizmente toda a energia despendida do trabalho em criação tem se deparado com uma carga de energias que colocaram a todo o momento uma contra mão no processo. O esgotamento está sendo percebido pela impossibilidade de realizar um trabalho que exige em um grau maior a autonomia do indivíduo. Creio que a distância, ou o fato de parecermos estarmos distantes, amplia o que já é muito comum nos processos de trabalho em grupo. Embora acredite que seja a particularidade de cada um que defina isso, o fato é que estamos literalmente a mercê do que a tecnologia nos prometia, mas não dá conta. Um enorme abismo, um buraco negro, para ficar mais dentro do espaço, nos enlaça a cada proximidade da data que estipulamos. Neste mês, fiz chegar às mãos de Mari o linóleo, uma tarefa absurda, mas que minha determinação e organização não deixou o processo travar. O prazer de realizar a produção deste linóleo, escolha, compra, corte, pintura e transporte trouxeram juntamente com a finalização do processo de criação cênica e tudo mais que envolve o cotidiano de nossas vidas a certeza que podemos com um pouco de organização e antecipação termos o básico essencial. Amanha, Mari, Eu e LU faremos uma reunião, antes de tudo, para ver que encaminhamentos daremos aos fatos presentes. Nosso tão esperado dia “e” não se apresenta visível como há meses atrás, mas coberto por uma forte neblina, não foi a toa o vídeo Malevitch e a escolha do branco para este trabalho. Creio que ao contrário da escuridão que é densa e nos permite um profundo mergulho em nós, e as vezes isso pode ser tenebroso, o branco espalha, nos faz perder, um parecer que vemos mais, mas que conforme Saramago, cega. Talvez um aprendizado, dentre muitos, é que a idéia de realizar processos em arte via web traga em si uma potencialização da coisa humana. Um paradigma do desejo de ser visto e percebido, mas ao mesmo tempo invisível. Paradigma do pertencer a um gigante grupo, mas ser incógnito na dissimulação do todo. Literalmente uma massa e ao mesmo tempo um elétron. O sentimento de solidão, de vazio, do estar perdido, agarra e inativa o ato mais cotidiano e assim se desfaz em bites. Para quem está acompanhando parte deste trabalho, de pesquisa em dança, em arte, partimos do seguinte questionamento:
Seria possível o encontro na ausência? Como dançar presença à distância? A tecnologia cotidiana utilizada atualmente pode nos aproximar?O que é distãncia?
Teremos em nossa apresentação de processo, o que to chamando primeiro momento, o dia “e”, o encontro de dois trabalhos em tempo real que até o momento não foram simultâneos e nem confrontados, mas que pretendem ser, e ver o que neste encontro resultam, somando ainda pedaços de materiais colhidos neste caminho e outros enviados como resposta ao convite que remetemos de forma aberta dentro de nosso alcance digital, pois pensamos que ao estarmos conectados falamos para o mundo e as vezes o mundo é um pequenina vila digital.
Ei, alguém leu isso???



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Centro Municipal de Dança
FUNARTE
movimento.org
MOVIMENTOemFALSO
MUNA
Procempa
Ser com Arte
UDESC
UFU
USINA DO GASÔMETRO
7 Comentários
27 | Jun | 2010 at 00:48
1Sim, Mariene. Eu li, Marçal. Li, percebo e compreendo cada caracter que você ex-põe.
Hoje me pergunto tantas coisas: mas será que importa? será que alguém se importa? O que me importa? o que me é importante? Mais uma vez encontro Larrosa em meus devaneios solitários… o que me passa, me toca, me afeta?
Tantas informações, imagens, movimentos, caracteres percorrem essas freeways da web… e tudo se perde, vira neblina, perde o foco… ops! onde eu estava mesmo?
E você? Você está aí?
Nosso parceiro músico Maurício Pereira diz “as vezes eu me pergunto se quando eu canto alguém presta atenção na letra.” Isso hoje pra mim é uma questão tesouro.
Eu me pergunto se quando eu falo, alguém escuta; se quando eu danço, alguém vê; se quando eu exponho, alguém acolhe; se quando nua, alguém me veste; se quando choro, alguém se importa; se quando grito, alguém me responde: cala a boca!!!
Alguém responde?
bi bi bi bi bi bi bi bi bi bi…
Infinitos sinais ocupados… todos, demasiadamente ocupados com seu caos cotidiano… e ninguém se vê, se toca, se escuta, se encontra…
Teremos nos tornado elétrons viciados em percorrer uma rota em torno ao núcleo seja lá de que?
Por que faço arte?
Quando me deparo com a condição solitária da existência, me questiono… para quem, além de mim?
Quando desejo ser a própria experiência de Larrosa e me tornar território de passagem, ex-por minha vulnerabilidade e risco…
Ei!? Alguém percebe o que aqui ex-ponho?
bi bi bi bi bi bi bi bi bi bi bi bi bi bi bi…
28 | Jun | 2010 at 19:22
2Eu, Lu Hoppe tbém li. A primeira pergunta que veio ao ler o projeto foi: Será que é possível excluir o fator humano> o encontro> existe dança, mesmo não tendo a presença corporal dos bailarinos> como se dá o preparo corporal virtual> … Enfim, me senti muito frágil nesse momento porque meu cotidiano, o da dança, a matéria é o corpo, é o treinamento do corpo, é corrigir movimentos, mas como> pela internet> tratamos de perepção tátil, sonora que muitas vezes se tornaram filtradas e incompreensíveis! Filtradas e incompreensíveis pela máquina computador, uma tecnologia que falha, ou não ter os aparatos necessários da hora “h” do encontro/ensaio virtual.
Me senti refém de uma tecnologia. Eu dizia pra Mari via MSN: – “eu queria que tu estivesse aqui! preciso te tocar! te ver! ” Necessidade da troca afetiva, de trabalho, dançar, discutir, perguntar naquele momento.
E a internet ao mesmo tempo que armazena infinitas informações e possibilita conexões, ela nos dispersa no cotidiano e no tempo. Ao mesmo tempo que estou escrevendo esse texto, eu como uma bergamota, vejo um e-mail, torno a escrever o texto, lembro que daqui meia hora vou a uma aula de dança e não posso atrasar, faço um xixi, vou tomar água ……. Quando me deparo com o tempo, já foi e esqueço de todo o resto.
30 | Jun | 2010 at 18:55
3A distancia pode ser definida conforme dicionário assim:” é a medida da separação entre dois pontos na terra…”
14 | Jul | 2010 at 09:41
4hummm e a distância entre as idéias??
14 | Jul | 2010 at 22:56
5a distância é relativa. assim como o tempo e o espaço (distância é apenas UMA dimensão do espaço). o caos é tudo isso, é O tudo isso, no qual imersos estamos. tentando entender tudo, é que compreendo que realmente nada entendo e, talvez, simplesmente, aceito. pensando nisso me vem aquela canção de Walter Franco que diz “Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”. não vejo nada de ruim em aceitar o que realmente não consigo modificar. o mais difícil talvez seja identificar o que posso/podemos mudar. então… coração tranquilo. tudo se encaixa de alguma maneira, em algum lugar, em algum tempo.
23 | Jul | 2010 at 13:45
6Lembro dos nossos primeiros contatos, as primeiras conversas, cada um numa cidade. Todos pareciam empolgados e curiosos . Só nas teclas, sem imagem. Naquele dia havia sol, calor, frio chuva, tudo ao mesmo tempo. Entre a nossa distancia tinhamos todas as estações do ano. A individualidade foi declarada das risadas: rsrsrs, kikikiki, rarrarrrra. kakakkaaa. O novo estava na nossa frente.
Depois vieram as primeiros contatos com imagens. Emocionante ver a Mari dançando na pequena telinha do MSN.
O novo ainda esta na nossa frente. Amanhã como será? Como será nossa distancia? Vai funcionar? A conecção estará boa? A tecnologia vai dar conta de nossa empolgação e de nossa emoção?
23 | Jul | 2010 at 14:06
7Continuando….
Nosso encontro ao vivo aconteceu em São Paulo, em uma sala de ensaio na R. Augusta.
Fotografei a Mari e o Marsal: aquecimento, dança, expressões, um lá, um cá, os dois juntos. A distancia se apresentou, mesmo estando juntos fisicamente. Por que ela estava lá? Havia sido convidada para estar entre nós? Fazia parte da proposta? Sim, ela foi convidada. Fotografei a distancia de perto e na presença.
Depois de algumas horas de trabalho finalizamos nosso encontro com um delicioso café marroquino. Na hora de se alimentar, sentados em volta da mesa, nossa distancia ficou bem pequena.
Nosso encontro ao vivo e a cores foi muito bom e UNICO. Um presente que só a tecnologia e a distancia pode proporcionar.
http://WWW.CORPONAFOTO.COM.BR
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